Afinal, como definir a nutrição do solo e a alternância de culturas?

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O Brasil é um dos grandes exportadores de produtos agrícolas e a influência que o agronegócio tem no PIB nacional é bastante conhecida — sendo responsável, inclusive, pela retomada da economia.

Entretanto, essa alta demanda do mercado internacional exige o uso de extensas áreas de cultivo, o que causa um grande impacto na nutrição do solo. Isso traz à tona a discussão de uma das práticas mais importantes na agricultura: a rotação de culturas.

Mas o que é a alternância de plantio e por que ela é tão importante para a produtividade da lavoura? Como saber se o solo está carente de nutrientes e como estabelecer o equilíbrio novamente? Para responder a essas questões, elaboramos este artigo para você! Continue conosco e entenda tudo o que precisa. Boa leitura!

O que é alternância de culturas?

A rotação de culturas nada mais é do que o plantio alternado e previamente planejado de diferentes espécies vegetais, em uma mesma área. Essa prática agronômica visa à recuperação do solo, devastado pela ação da monocultura.

Isso é feito substituindo o cultivo a cada nova semeadura, com o objetivo de repor os nutrientes do solo, fazendo com que a adubação seja diferente em cada novo ciclo. As plantas escolhidas devem ter propósito comercial e atender às necessidades de regeneração do campo.

Qual a importância da rotação de culturas para a agricultura?

O sistema de agricultura implantado no Brasil, desde o século XVI, consiste na troca da cobertura vegetal original pela plantação de apenas um produto, por um longo período de tempo. Essa prática, chamada de monocultura, é perigosa e extremamente prejudicial ao ambiente.

Entre as suas inúmeras consequências estão o desmatamento, a redução da fauna local (em função da baixa disponibilidade de alimentos aos animais nativos), o aumento de pragas e insetos (devido à falta de predadores naturais) e a consecutiva intensificação do uso de agrotóxicos.

Além disso, provoca o assoreamento de rios e a diminuição da mão de obra.

Em oposição a essa prática, a alternância de culturas vem para minimizar esses impactos e restaurar o equilíbrio ambiental da região.

Entre os benefícios dessa atividade, podemos destacar:

  • possibilita a melhora das características físicas, químicas e biológicas do solo, promovendo a reciclagem natural de nutrientes, uma vez que a matéria orgânica depositada pela nova planta enriquece o campo;
  • proporciona a retenção da umidade do solo, pois a cobertura morta das plantas impede a evaporação excessiva da água;
  • diminui a propagação de plantas invasoras, visto que as espécies escolhidas colonizam a área, impedindo a infestação de ervas daninhas;
  • ajuda no controle da erosão, pois as espécies em alternância germinam e crescem rapidamente, protegendo o solo;
  • auxilia no controle das pragas, uma vez que a troca de culturas quebra o ciclo de vida de diversos insetos (Manejo Integrado de Pragas);
  • reduz a necessidade de aplicação de defensivos agrícolas;
  • mantém a produtividade da lavoura sem a necessidade de expandir a área cultivada, dada a preservação das propriedades do terreno;
  • promove a manutenção da diversidade da flora e da fauna nativas; e
  • amplia a produção em todas as culturas.

Como estabelecer a nutrição do solo?

O Brasil, apesar de seu grande potencial de expansão em área plantada, tem o solo predominantemente pobre em fertilizantes naturais, na maioria das regiões produtivas.

Isso significa que é necessária a aplicação de adubos periodicamente.

Muitas vezes, esses insumos são importados, o que pode acarretar grandes gastos aos empresários.

Para dar início ao manejo da fertilidade do campo, é necessário ter um bom planejamento e um bom conhecimento do campo e das espécies vegetais (tanto sobre a cabeça de rotação quanto as melhoradoras ou esgotantes).

Alguns pontos podem ser destacados:

Investir na análise laboratorial para fazer o planejamento da adubação

Esse é o primeiro passo para, então, elaborar a adubação e deve ser feito com seis meses de antecedência à semeadura.

É necessário fazer uma amostragem do solo, com uma porção significativa que represente, de maneira homogênea, as características da área como um todo.

O diagnóstico dos exames químicos e físicos conduzirá o planejamento de quais culturas farão parte do sistema de produção, repondo os nutrientes escassos.

Estudar o grau de acidez da camada do solo

Avaliar o pH também é muito importante para a nutrição do solo. Na maior parte das áreas cultivadas brasileiras o solo é ácido, mas, somente após essa verificação, o fator deve ser corrigido. Caso a acidez da camada subsuperficial de terra (abaixo de 20 cm) seja prejudicial à planta, é recomendado o uso de gesso agrícola.

O gesso agrícola é uma boa fonte de cálcio e enxofre, componentes que promovem o desenvolvimento do sistema de raízes da planta. Com isso, há uma maior resistência do vegetal em épocas de seca e, também, um maior aproveitamento dos fertilizantes aplicados.

Considerar as exigências nutricionais das culturas

Cada espécie de cultura tem um metabolismo diferente e, portanto, exigências nutricionais diferentes. É preciso conhecer bem a biologia das espécies em questão para, então, planejar a nutrição do solo, extraindo o máximo potencial da planta com o mínimo de impacto ambiental.

As leguminosas são as plantas mais utilizadas e recomendadas para a rotação de culturas, pois têm a capacidade — como nenhum outro grupo — de fazer a fixação biológica do nitrogênio da atmosfera, por meio da associação de microrganismos que vivem nas raízes dessas plantas.

O uso de leguminosas substitui parcial ou totalmente a adubação nitrogenada por adição de produtos químicos. Além disso, elas ajudam a controlar os nematoides de solo, por terem vermífugos naturais em sua composição.

Qual a relação entre a alternância de culturas e a produtividade da lavoura?

As práticas de rotação de culturas e adubação verde (que consiste na plantação de fileiras intercaladas de espécies benéficas ao cultivo de interesse) fazem parte do sistema sustentável de produção agrícola.

Com os impactos ambientais minimizados, o ecossistema se mantém em equilíbrio e o produtor que tem uma visão empreendedora sabe usar isso a seu favor.

A diminuição das áreas degradadas pela monocultura por meio da alternância de vegetais reduz a necessidade de utilização de agrotóxicos e fertilizantes químicos, gerando mais economia ao agricultor.

Um solo fértil eleva o desempenho das culturas e, consequentemente, aumenta a produtividade da lavoura.

Como você pôde ver, a nutrição do solo e a alternância de culturas são passos realmente importantes para aumentar a produtividade e, ainda sim, cuidar do ecossistema.

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